quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Alma renovada

Na próxima segunda, dia 8 de fevereiro, as aulas nas faculdades voltam a acontecer. Ânimo renovado, cabeça e pensamentos em dia. Hora de retornar à sala. As expectativas são enormes, trocas de ideias, experiências e de energia. O ano de 2010 começa agora.

A síndrome da alimentação politicamente correta

Nunca fui muito "antenada" em relação à alimentação saudável, nem me preocupei muito com a balança. Mas, de uns tempos para cá, tenho visto e lido mais sobre o assunto.


Confesso que tenho percebido uma certa mania exagerada do povo brasileiro em dosar o que come ou bebe. Virou moda contar cada grama de pão que se ingere. Uma fatia de abacaxi já faz uma enorme diferença. "Hoje tomei um copo de leite que não era desnatado. Saí do regime porque comi três fatias de pão integral". Virou neura.


As pessoas se tornaram escravas delas mesmas. Comem com culpa, isso quando comem. Daqui a pouco as festas de aniversários de crianças só servirão sanduíche de alface, brocólis ou suco de acerola com couve.


Nada contra. Também adoro frutas e verduras. Afinal, dizem que somos aquilo que comemos e temos que pensar na saúde, porém, vamos com calma. De vez em quando, uma escapulida não faz mal a ninguém. E dá um prazer danado!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Matias Barbosa

Janeiro é sempre tempo de relaxar, viajar e pensar na vida. Colocar o tico e o teco em dia para começar um ano melhor no trabalho.


Neste último domingo tive a oportunidade de conhecer a pacata Matias Barbosa. Situada a 19 quilômetros de Juiz de Fora,abriga muitas chácaras e sítios lindíssimos. E a paisagem? Um presente à parte para quem vive na cidade. Linda demais! Fui surpreendida por andorinhas no final da tarde que cismavam em brincar em frente à minha câmera. Que privilégio!


Se fosse pintora, não faltaria inspiração para retratar aquelas montanhas,uma lagoa enorme e limpíssima. Sem contar a hospitalidade de uma gente sincera e alegre.


Valeu o passeio. Já espero voltar em breve.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Final de ano

Olá pessoal,faz tempo que não passo por aqui. Gostaria apenas de desejar a todos os meus amigos e pessoas que me querem bem, um 2010 cheio de muitas esperanças,saúde e que cada um de nós possamos ser muuuuuuuuuuuuito felizes.



Um grande beijo

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O menino Olinto

Texto publicado no Jornal Diário de Notícias do dia 18 de setembro de 2009.

Nesta semana, ao iniciar o conteúdo de Jornalismo Literário com os alunos de Comunicação Social, pela primeira vez, tive que mencionar a obra do escritor Antonio Olinto utilizando verbos no passado. Todo ano, quando inicio essa parte da matéria, ele aparece como uma das principais referências de autor que soube maravilhosamente bem juntar as duas paixões: o jornalismo e a literatura. Foi estranho para mim. Porém, nada muda com a sua passagem. Seus livros continuarão a ser mencionados no Brasil e no mundo como exemplos.


Passou um filme em minha cabeça. Lembrei-me do ano de 1997 quando Antonio Olinto foi chamado para assumir uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, a de número 8, de Antonio Calado. Eu ainda era estudante de Jornalismo em Juiz de Fora e passava as férias treinando na TV local. Logo que soube da notícia, entrei em contato com o escritor e gravamos uma entrevista por telefone. Eu a guardo com carinho até hoje em fita VHS.


Depois disso, ele veio a Ubá agradecer o carinho da cidade natal e os parabéns que recebeu de seus conterrâneos. Participou de inúmeros eventos no município. Um deles foi o lançamento do livro da sua amiga, escritora e professora Cláudia Condé. Mas antes disso, tive a honra de vê-lo se emocionar no dia da apresentação da dissertação de mestrado da também amiga Cláudia. Ele assistiu atentamente às explicações da autora e no final agradeceu à banca examinadora e aos convidados, dizendo que poucas vezes havia recebido uma homenagem daquelas e que iria guardar para sempre aquele momento. Após o exame, passamos uma tarde agradável a convite de Cláudia. Naquele dia fiquei sabendo um pouco sobre o processo de criação do escritor.

Ele nos contou, de forma bem humorada, que escrevia os seus textos tão conhecidos dos brasileiros e em várias partes do mundo, em sua inseparável máquina de escrever. E que não havia hora para isso acontecer.


Depois daquela conversa, tive vontade de saber um pouco mais sobre a identidade do autor. Suas marcações de mineiridade e a paixão pela cultura e história de seu povo ficaram claras, em sua obra Cinema de Ubá, publicada em 1972. Essa minha curiosidade resultou em um ensaio publicado durante o mestrado: Cultura e identidade em Antonio Olinto.


Um defensor e divulgador da cultura brasileira pelo mundo. Assim podemos definir Antonio Olinto Marques da Rocha. Mineiro da Zona da Mata. Nasceu em Ubá em 1919. Estudou Filosofia, foi professor de Literatura, Latim, Português, Francês, Inglês e História da Civilização, em colégios do rio de Janeiro, até ingressar no jornalismo e ser crítico literário do jornal “O Globo”. Lançou mais de trinta concursos literários ligados a livros, culminando com o lançamento do Prêmio nacional Walmap, considerado o pioneiro dos grandes prêmios literários do país.


Em suas viagens pelo mundo sempre defendeu a cultura brasileira, fazendo conferências em universidades e entidades culturais. Foi adido cultural na Nigéria e na Grã-Bretanha, professor da universidade de Columbia. Na África, escreveu uma trilogia de romances - A Casa da Água, O Rei de Keto e Trono de Vidro.


Uma de suas grandes preocupações sempre foi a preservação dos costumes e crenças do brasileiro. Cinema de Ubá narra a sua própria infância. O cenário é a terra natal e arredores do município, como o distrito de Piau, terra de sua mãe. Olinto fez uma recapitulação da década de 20 em Ubá, entre 1925 e 1926. Mostra um ano na vida da cidade, passando pelas principais festividades da época. Ele deixa evidente a vontade de relembrar o tempo em que a vida no interior de Minas Gerais se limitava a um jeito muito simples de se viver. Época em que a infância era tida como um período “inocente”.


A história começa com um passeio ao circo que acabara de chegar à cidade e que havia sido montado na praça Guido Marlière, em Ubá. A ida ao circo era um presente no dia do aniversário do garoto de seis anos (Olinto), personagem principal. Parte da história se passa nos arredores da praça. Outros momentos que lembram os costumes e a cultura do brasileiro são a tradição da Missa do Galo, o Carnaval e a Semana Santa que também são relembrados na obra.


Ao narrar a sua infância, o escritor traz à tona essa memória. Olinto revivencia sua própria história, ao narrar as lembranças da chegada do trem a Ubá, as partidas de futebol no Campo do Aymorés e a importância que o cinema tinha para uma cidade pequena da década de 20.


Olinto foi um defensor da necessidade de preservação da identidade brasileira. Em sua obra deixou clara a constante busca por um país que valoriza seus costumes, sua cultura. O escritor faz isso desde a sua preocupação em criar bibliotecas para o acesso mais fácil à leitura, até várias de suas obras.


Mesmo quando era adido cultural na Nigéria, Olinto não se esqueceu de sua nação. Lá descobriu a cultura negra no Brasil e a presença brasileira na África. Na Bahia, foi escolhido, juntamente com Jorge Amado, para ser ministro de Xangô.


Viajou o mundo todo. Publicou muitos livros em outros países, em que sua obra também é muito conhecida. Mas o elemento essencialmente brasileiro foi sempre preservado. Em suas palestras por outros continentes ele retratou as riquezas como o Rio de Janeiro, a Bahia e Minas Gerais. Olinto não foi um maquinista de trem, como sonhara quando menino, mas passou a vida viajando: saiu e voltou a Piau e a Ubá. Assim foi Antonio Olinto Marques da Rocha.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Curso Design de Produto da UEMG participa de Semana da Moda em Ubá





Alunos, professores e coordenação de curso Design de Produto da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) participaram da 3ª Semana da Moda ocorrida no período de 31 de agosto a 7 de setembro, em Ubá. O evento foi organizado pela prefeitura, a Aciuba (Associação Comercial e Industrial de Ubá), Adubar (Agência de Desenvolvimento de Ubá e Região) e Sebrae, marcando a volta da Festa das Nações ao calendário do município.


Foram apresentados desfiles, exposições, oficinas de criação e palestras sobre o mundo da moda. Nos primeiros dias aconteceram as palestras “A importância da Gestão da Marca Própria” e “Direcionando Moda para o seu Público Consumidor”, na sede da Aciuba.


No Horto Florestal foram montados 34 estandes de confecções e 13 de fornecedores (máquinas, equipamentos e tecidos). Atendendo a um convite da Associação Comercial e da administração municipal, o curso de Design de Produto montou um estande na festa, onde foram expostos trabalhos dos alunos nas disciplinas dedicadas à moda e acessórios. Professores e alunos se revezaram na atividade de apresentação do curso à comunidade e divulgação do processo seletivo 2009 da UEMG.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Gentileza gera gentileza

Taís Alves - Texto publicado no jornal Diário de Notícias, em Ubá, no dia 10 de julho de 2009

Você acredita em gnomos, vida após a morte ou simplesmente no amor? Desde que nascemos somos convidados a crer em uma série de afirmações que nos são apresentadas como verdadeiras pela ciência, por nossos familiares ou pelos adeptos de alguma religião. Várias foram comprovadas e viraram teses; outras nem tanto. E, mesmo assim, continuamos acreditando.


Acreditar em determinadas situações faz bem ao ser humano, mesmo que elas nunca cheguem a ser confirmadas. Quantas e quantas vezes já ouvimos falar em pessoas que têm o dom de ajudar às outras e dedicam ou dedicaram suas vidas a salvar vidas. E isso realmente aconteceu.


Algumas acreditam em chás milagrosos, receitas caseiras do tempo da vovó. O que determina se eles vão lhe trazer uma melhora ou não? Muitas vezes simplesmente o poder de acreditar. Já se fala há muito tempo que a capacidade da mente é imensurável.


Autores do mundo inteiro escrevem milhares de obras, ressaltando o poder da mente humana e a necessidade de se ter fé.


Chegamos a um ponto em que o acesso às informações é imediato e irrestrito. Nossa vida é tão corrida que sentimos a necessidade de acreditar em algo mais. E quem pode questionar isso. A ciência desenvolver tantos artifícios para responder às necessidades do homem que esse mesmo homem busca algo em que possa se apegar. E isso é muito positivo. Tudo o que nos faz bem e não prejudica ao próximo está valendo.
A correria é tão grande que muitos não acham tempo para um simples sorriso, para ouvir o outro, para ajudar alguém a atravessar a rua. As pequenas gentilezas, muitas vezes, se tornam raras. E quando, por exemplo, alguém para no sinal para nos deixar atravessar, achamos que existe algo de errado.


Se você presta um favor à determinada pessoa, alguns pensam que quer algo em troca. Se você chega mais cedo ao serviço é porque deseja um aumento ou está querendo ficar bem com o seu supervisor ou gerente.


Consultórios de psicólogos, psiquiatras e terapeutas no mundo inteiro recebem pessoas que pagam para serem ouvidas porque não há ninguém para fazer isso no trabalho, na família ou em seu ambiente social. E quem não tem dinheiro para pagar? Vive com seus desafios, clamando pela atenção do outro.


Pessoas sensíveis, capazes de respirar fundo, parar um instante, escutar até mesmo as vitórias de um amigo, não podem ser tão escassas. Existem muitas, temos milhões no mundo. Algumas estão escondidas, é verdade. Mas nunca é tarde para elas se apresentarem em pequenas atitudes.

domingo, 5 de julho de 2009

Arraiá da UEMG 2009




A festa aconteceu no estacionamento da feira municipal em Ubá no dia 26 de junho. A organizaçaõ foi dos alunos dos cursos de Design de Produto, Química e Biologia. Muita música, sorteio de prêmios e animação marcaram o evento que deve virar tradição na cidade.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

DIPLOMA & HIPOCRISIA

Por Alberto Dines em 23/6/2009 - Observatório da imprensa


Antes de discutir a questão do diploma é imperioso discutir a legitimidade dos autores da Ação Civil Pública acolhida pelo Supremo Tribunal Federal que resultou na extinção da sua obrigatoriedade para o exercício do jornalismo.


No recurso interposto pelo Ministério Público Federal, o SERTESP (Sindicato das Empresas de Rádio e TV do Estado de S. Paulo) aparece como assistente simples. A participação do MPF nesta questão é inédita e altamente controversa, tanto assim que o ministro Gilmar Mendes abandonou, numa parte substanciosa do seu relatório, o mérito da questão para justificar a inopinada aparição do órgão público numa questão difusa e doutrinal, suscitada aleatoriamente, sem qualquer fato novo ou materialização de ameaça.


Imaginemos que os juristas e o próprio MPF acabem por convencer a sociedade brasileira da legitimidade de sua intervenção. Pergunta-se então: tem o SERTESP credibilidade para defender uma cláusula pétrea da Carta Magna que sequer estava ameaçada? Quem conferiu a este sindicato de empresários o diploma de defensor do interesse público? Quem representa institucionalmente – a cidadania ou as empresas comerciais, concessionárias de radiodifusão, sediadas em S. Paulo?


Na condição de concessionárias, as afiliadas da SERTESP são dignas de fé, têm desempenho ilibado? Nunca infringiram os regulamentos do poder concedente (o Estado brasileiro) que se comprometeram a obedecer estritamente? Respeitam a classificação da programação por faixa etária? As redes de rádio e TV com sede no estado de São Paulo porventura opõem-se ou fazem parta da despudorada e inconstitucional folia de concessões a parlamentares?


Se este sindicato regional de empresas claudica em matéria cívica e não tem condições de apresentar uma folha corrida capaz de qualificá-lo como defensor da liberdade de expressão, por que não foram convocadas as entidades nacionais? Onde está a ABERT e a sua dissidência, a ABRA? Brigaram?


E por que razão a ANJ (Associação Nacional de Jornais) de repente começou a aparecer como co-patrocinadora do recurso contra o diploma depois da vitória na votação? A carona tardia teria algo a ver com as notórias rivalidades dentro do bunker patronal? Essas rivalidades empresariais não colocam sob suspeita o mandato de guardiã da liberdade que o SERTESP avocou para si?



Grupo minoritário se sobrepõe à cidadania



De qualquer forma evidenciou-se que numa sociedade democrática, diversificada e pluralista a defesa da Constituição não pode ser transferida para um grupo minoritário (o SERTESP) dentro de um segmento (o dos empresários de comunicação) dilacerado por interesses conflitantes e nem sempre os mais idealistas.


O Ministério Público Federal, como órgão do Estado brasileiro, para levar a bom termo a Ação Civil Pública, deveria ter organizado audiências públicas para ouvir as demais partes. Contentou-se em acionar a ré (a União) e suas assistentes simples (a Fenaj e o Sindicato de Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, ambas com atuações abaixo do sofrível). Contentou-se com os interesses das corporações e deixou de lado a oportunidade de renovar e aprimorar o ensino do jornalismo.


Não se sabe o que efetivamente pensam os leitores, ouvintes e telespectadores sobre a questão do diploma e, principalmente, sobre as excentricidades do julgamento. Os jornais têm registrado algumas cartas simbólicas sobre o diploma em si para fingir neutralidade e passam ao largo dos demais aspectos.



Articulistas calados



O que chama a atenção é que nos cinco dias seguintes à decisão da suprema corte (edições de quinta-feira, 18/6, até segunda-feira, 22/6) dos 28 espaços diários reservados a articulistas regulares e colaboradores eventuais nos três principais jornalões apenas um jornalista manifestou-se de forma inequívoca a favor da manutenção do status quo. Dos 140 consagrados nomões que se revezaram todos os dias ao longo de quase uma semana, só Janio de Freitas (Folha de S. Paulo, domingo, 21/6) reagiu aos triunfantes editoriais da grande imprensa comemorando a morte do dragão da maldade, a obrigatoriedade do diploma.


Miriam Leitão, Gilberto Dimenstein e João Ubaldo Ribeiro discordaram da cortina de silêncio imposta pela ANJ, por meio dos comandos das redações, e não permitiram que o assunto fosse engavetado. Parabéns. Mas não se manifestaram a respeito da obrigatoriedade. Não quiseram ou não puderam.


A festa libertária acabou convertida numa festa liberticida. O cidadão recebeu um razoável volume de material noticioso e reflexivo, porém linear, esvaziado de qualquer elemento crítico ou, pelo menos, questionador.


Neste grande festival de hipocrisias, a imprensa aposenta o bastão de Quarto Poder e assume-se abertamente como lobby empresarial. Já o STF, obcecado pela idéia de tornar-se um petit-comité legislativo, no lugar de converter-se em coveiro do autoritarismo, é apenas o parteiro de um novo mandonismo cartorial.




Nessas notas preliminares, ainda antes de entrar no mérito da questão do diploma, é preciso embrenhar-se na remissão histórica. Parte deles está mencionada em O Papel do Jornal, Uma Releitura (Summus Editorial).



No apêndice "O jornalismo na Era do Cruzado e a cruzada contra o diploma de jornalista", datado de 27/5/1986 (5ª edição, pp. 147-157, repetido nas edições seguintes), estão registrados os primeiros lances da história cujo desenlace ocorreu agora, mais de duas décadas depois.



A extinção da obrigatoriedade do diploma foi concebida nos primórdios da ANJ (1980), depois da malograda greve de 1979, quando os acionistas das empresas de jornalismo finalmente sentaram-se à mesa para traçar um projeto de longo prazo para o setor.


Sob o pretexto de renovar as redações e prepará-las para o fim do regime militar, a Folha de S. Paulo capitaneou um movimento para acabar de facto com a regulamentação da profissão. A primeira manifestação pública desta cruzada foi protagonizada por Boris Casoy, então colunista da Folha, na última página da Veja.



Constituição de 88



Em 1985, quando a Comissão Provisória de Estudos Constitucionais (planejada por Tancredo Neves e implementada por José Sarney) começou a preparar uma espécie de rascunho para a nova Carta Magna, o jornalista Mauro Santayana, na qualidade de Secretário Executivo, vazou para a Folha a informação de que nele constava um item que acabaria com a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. A intenção de Santayana era conseguir as boas graças da Folha, sempre arredia à Comissão de Sábios.


A Folha abriu as suas baterias e, assim, a questão do diploma ganhou uma notoriedade injustificada. Não era matéria constitucional, mas desde então se tornou aspiração máxima da corporação empresarial da comunicação.


Não a preocupam os demais controles, licenciamentos e limites impostos pelo Estado.

O lobby da comunicação sabe entender-se com o ente governamental. José Sarney é a prova viva desta convivência-dependência. O que parece insuportável é o espírito crítico instalado nas redações. Ou perto delas. A exigência do diploma nunca constituiu uma ameaça concreta. Mas convinha prevenir-se.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Um soco no estômago

Diploma de jornalismo agora é desnecessário. Um retrocesso em uma conquista.



Foi assim que me senti ao receber uma notícia na noite de ontem, 17 de junho, no intervalo das bancas de monografia da faculdade de Jornalismo onde trabalho. Paramos cinco minutos para um café e qual não foi a minha surpresa ao receber um telefone com a bela novidade: o Supremo Tribunal Federal brasileiro votou por 8 votos a 1 o fim da regulamentação da profissão de jornalista no Brasil. Não será mais exigido o diploma para o exercício legal da profissão.


Veio um filme em minha cabeça. Lembrei-me daquela turma do último ano de comunicação social quatro anos atrás e os associei ao momento presente quando passamos horas maravilhosas discutindo a comunicação, suas origens, responsabilidades, respeito ao povo brasileiro e compromisso com a ética. Os alunos deram um “banho” de seriedade ao apresentarem temas complexos do Jornalismo atual. Algumas questões geraram reflexões profundas e nos fizeram pensar sobre essa decisão insensata.


O presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, relator do projeto, se baseou em uma discussão de que a obrigatoriedade do diploma fere a liberdade de expressão, garantida pela Constituição. Falar o que quer, escrever sobre o que deseja é possível. Estamos na democracia. Mas para isso não precisa ser jornalista. A profissão pode continuar a ser regulamentada e as pessoas se pronunciarem. A questão é o retrocesso da conquista de uma categoria que sofreu muito, sendo perseguida no período da ditadura militar e que agora terá que se justificar muito para continuar a trabalhar com dignidade.


É claro que a criatividade, a seriedade e a competência de quem passa quatro anos na faculdade refletindo sobre o país e o mundo não se discute. Nos Estados Unidos e na Europa, o diploma não é exigido, no entanto, as empresas buscam aqueles que têm o curso de jornalismo para não correrem o risco de serem processadas por danos morais, sendo obrigadas a pagar indenizações enormes. Jornalistas também erram, são processados, porém, em toda profissão há bons e maus profissionais. Existem pessoas muito competentes que trabalham com comunicação. Ninguém aqui tira o mérito delas. A questão é que para isso não seria necessário acabar com a regulamentação.


Os interesses por trás dessa decisão é que assustam. O que virá com ela nas grandes empresas? Esse dia ficará marcado na história do nosso país. Podem anotar.


O ânimo, a vontade de acertar e a responsabilidade, para com a profissão, passam a ser ainda maiores, porque vale a pena ser jornalista. Tenham certeza disso. Agora é erguer a cabeça, lembrar dos maravilhosos textos lidos no período de estudo. Relembrar as discussões geradas pelos estudiosos da área. E esperar que as conseqüências para o nosso país não sejam tão drásticas.



Taís Alves – jornalista por paixão e por formação

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Olha a assessoria da Petrobras aí gente...

Gente, agora a assessoria de comunicação da Petrobras resolveu publicar todas as perguntas que lhes são enviadas por repórteres antes mesmo de elas serem publicadas nos veículos de comunicação. O endereço do tal blog é http://petrobrasfatosedados.wordpress.com.


Será desconfiança sobre o que os grandes veículos divulgam ou a forma como fazem isso?


Jornalistas de todo o país discutem se há tentativa de "controle" da imprensa ou simplesmente tornar público o que cada um perguntou, na íntegra. Vamos debater antes de impor qualquer posicionamento. Quem sabe isso será uma ótima iniciativa para facilitar o acesso a todas as informações ao mesmo tempo por vários jornalistas. Quem acessar primeiro o blog da Petrobras terá o furo. Afinal, não há como deter uma informação por muito tempo no mundo globalizado em que vivemos.

Defesa do diploma é destacada em manifestações e vigílias em todo o país

Hora da Verdade 09/06/2009


Nesta quarta-feira (10/06), a partir das 14h, as atenções dos jornalistas brasileiros e dos defensores do direito da sociedade à informação de qualidade estarão voltadas para o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Estará em pauta o julgamento do Recurso Extraordinário RE 511961, que questiona a exigência do diploma como requisito para o exercício da profissão de jornalista. A FENAJ convocou ato público para acompanhemento da sessão em Brasília. Paralelamente, manifestações e vigílias acontecem em todo o país.


O recurso RE 511961 é o terceiro na ordem da pauta. O relator é o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes. Antes serão apreciadas a Ação Penal do Mensalão (AP Nr 470) e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF Nr. 172), relativa ao caso do menino cuja guarda está sendo disputada judicialmente.


Este ataque à regulamentação da profissão e à qualidade do Jornalismo brasileiro começou em 2001, quando o Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo questionou a constitucionalidade da exigência do diploma e a juíza Carla Rister concedeu liminar suspendendo tal requisito para o exercício da profissão. Tal medida foi derrubada por unanimidade pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região em outubro de 2005. Mas os patrões recorreram ao STF.



FONTE: FENAJ

terça-feira, 2 de junho de 2009

Dia da Imprensa

Nota Oficial 02/06/2009 | 14:45


Neste 1º de junho, alusivo ao Dia da Imprensa no Brasil, os jornalistas não têm o que comemorar. Ao contrário, é lametável o “presente” que Nelson Tanure, um dos donos da mídia no país, dá aos jornalistas, ao suspender a circulação da Gazeta Mercantil. Sobram para os profissionais a angústia de não verem respeitados seus direitos trabalhistas e a certeza da necessidade de mudanças profundas no sistema de comunicação do país.


Antes comemorado no dia 10 de setembro, o Dia da Imprensa no Brasil passou a ser reconhecido oficialmente como o 1º de junho a partir de um Projeto de Lei aprovado em 1999, com o apoio da FENAJ. A referência anterior registrava o início da Gazeta do Rio de Janeiro como o primeiro veículo impresso no Brasil, em 1808, como jornal oficial da Corte portuguesa. O PL repôs os pingos históricos nos is, reconhecendo que o pioneiro da imprensa brasileira foi o Correio Braziliense, do gaúcho Hipólito José da Costa, lançado em 1º de junho do mesmo ano.


A suspensão da circulação da Gazeta Mercantil após quase 90 anos, expõe uma crise no veículo que redundou em mais de 300 ações em fase de execução e dívidas trabalhistas que superam a casa dos R$ 200 milhões. Tentando fugir à sua responsabilidade, a CBM (Cia. Brasileira de Multimídia) de Nelson Tanure, considerada judicialmente como sucessora do ex-proprietário do jornal, Luiz Fernando Levy, tentou – frustradamente - devolver-lhe o veículo.


Tal situação revela a sucessão de incompetências administrativas na condução do jornal ao longo dos anos. E, mais que isso, desnuda um modelo de negócios declaradamente falido e ainda em aplicação no “mercado de comunicação” do país.


Diante de tal situação, a Federação Nacional dos Jornalistas soma-se ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo no apoio e solidariedade aos jornalistas da Gazeta Mercantil e reivindica a discussão ampla e democrática, com a necessária revisão, do modelo que sustenta a mídia eletrônica e impressa brasileira na Conferência Nacional de Comunicação.



Brasília, 1º de junho de 2009.Diretoria da FENAJ

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Um dia dedicado à inteligência emocional

No último sábado, dia 23, tive o prazer de ministrar, mais uma vez, a disciplina de Inteligência Emocional, na pós-graduação, só que dessa vez, em Viçosa. Uma sala com 90 alunos, de diversas áreas, inclusive da saúde. Foi um dia ímpar. Microfone, datashow, e muita vontade de contribuir também.


No início estavam todos meio apreensivos, alguns nunca tinham ouvido falar de outra inteligência que não fosse a medida pelo QI (quociente de inteligência). E não é aquele do quem indica né.


Quatro horas de aula teórica, abrindo para discussão e debate. Depois fui procurar um lugar para almoçar. No Calçadão de Viçosa, encontrei um amigo, o Ricardo, que também é Alves, mas não é parente. Pedi uma dica de restaurante e ele, prontamente, me passou um de comida caseira. Gostei muito. Lá estava uma aluna da pós, de quem me aproximei para oferecer companhia.


É hora de voltar à sala de aula. - Professora, que horas pretende terminar? Temos ônibus para Silverânia, Ponte Nova e uma outra que nem me lembro o nome, mas nunca ouvi falar. - A senhora vai dar trabalho para nota hoje? Vou ter que sair cedo. -No dia 6 de junho vai ter quadrilha na escola, viu professora e não poderemos vir. Será dia letivo.


Mudam as turmas, porém, sempre as mesmas conversas, desde a época em que fomos estudantes, ou no período em que nossos pais foram. O maravilhoso é perceber que o tema Inteligência Emocional atrai a atenção de todos. Afinal, quem não quer aprender a lidar com os seus próprios sentimentos e com os dos outros? Apesar de ser um assunto mais discutido a partir da década de 90, já existem muitos estudos que comprovam ser a inteligência emocional indispensável para a convivência em sociedade. Que bom que pensem assim, porque é a mais pura verdade.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Posse da Academia Ubaense de Letras

Fiquei muito feliz por ser indicada pelo meu agora amigo e padrinho, Antonio Carlos Estevam, para a cadeira de número 10, da Academia Ubaense de Letras, cujo patrono foi o Major Lázaro Gomes. A posse aconteceu no dia 22 de maio, na Câmara Municipal. Nas fotos: Minha família, a escritora e amiga Cláudia Condé, a presidente do IMLOR, Elazir Alves Carrara e seu esposo e o coordenador de marketing da Fagoc, Leonardo Gomes; o presidente da Academia Manoel Brandão e o ator Mauro Mendonça que também foi empossado.







quinta-feira, 21 de maio de 2009

A menina Télica (conto)

Télica acordou agitada nesta manhã de outono. Seus cabelos desalinhados e a calça de moletom azul surrada que em nada combina com a blusa listrada cheia de furinhos, compõem o visual caquético daquela menina mal cuidada. Menina? Eu a chamei de menina, mas Télica já deve beirar seus 35 anos. É que sua aparência não ajuda muito. Há quem a dê quase 50 anos.


Acordou e foi direto pôr a água para esquentar no fogão à lenha: uma chaleira para tomar banho e outra para fazer café. Na Fazenda do Cristal, a luz elétrica não chegou para todos. Por incrível que pareça, o lampião ainda é a companhia nas noites frias.Antes mesmo de a água ferver, dona Almerinda gritava lá do quarto.


-Minha filha, onde está meu leite com rapadura?


-Calma mãezinha, já vou.


Largou o banho para depois, esquentou o leite, derreteu a rapadura e atendeu à mãe. Dona Almerinda já beirava os cem anos bem vividos. Sempre foi mulher ativa. Nunca estudou, mas o pouco que sabia, dividiu durante muitos anos com as crianças da roça. Ela era voluntária lá na sala da capelinha. Porém, depois que seu Paulo morreu, perdeu um pouco o gosto pela vida. Adoeceu, parou de andar e agora depende da ajuda de Télica.


Toma café e banho rapidamente. Calça as botas e vai para a lida. De lá sai às dez horas, corre em casa, esquenta o almoço, come e leva para a mãe. Volta para o batente e as quatro da tarde já esta em casa, exausta. Pensam que o serviço acabou? É hora de preparar a janta com o resto do almoço e deixar pronta a comida do dia seguinte. É assim todos os dias.


Quando chega o final de semana, a menina-jovem senhora acorda cedo e vai para a igreja orar. Quem sabe não arranja um casamento? Apesar da idade, ela não perde as esperanças.


Télica se apaixonou uma vez quando era bem nova. Tinha uns treze anos. O rapaz era bem mais velho. Já beirava os 26.Ele até que se interessou por ela também, mas um dia deu uma bobeira e uma mulher da cidade ficou grávida dele. Foi quando teve que se casar e se esquecer de Télica para sempre.


Daí para a frente, ela nunca mais se interessou por ninguém. Dedica sua vidinha ao trabalho, à mãe doente e às orações.


Mas mal sabe ela que existe alguém muito interessado pela pobre. Todos os domingos ela é observada por Clóvis, um senhor aposentado e viúvo, que ajuda na celebração. É um homem de respeito, porém Télica nem desconfia e ele não tem coragem de se declarar.


É provável que nunca a menina-mulher, maltratada pelo tempo, venha a saber. Também não sei se teria coragem de se casar e deixar a mãe sozinha. Ou mesmo se a levasse para morar junto dela, será que Clóvis aceitaria? Ele é praticamente da idade de dona Almerinda. Talvez. Só o tempo dirá. Prometo que, se souber, também conto a vocês.



Por Taís Alves, numa tarde fria de outono

domingo, 17 de maio de 2009

Em resposta à Manu

Querida blogueira Manu,

Que bom que visitou meu blog! Seja bem-vinda! Ando um pouco sem tempo para atualizá-lo, por isso só hoje vi seu comentário.


A propósito sobre sua dúvida de vir ou não para a Cidade Carinho, confesso que sou suspeita para falar. Sou apaixonada pela minha terra natal. Tive que sair durante muitos anos para estudar, mas assim terminei, pude retornar.


Você pensa em prestar vestibular na Universidade do Estado de Minas (UEMG)? Qual curso? Será muito bem recebida, tenho certeza.


Ubá é uma terra em crescimento. Há muitas empresas no setor moveleiro. A indústria têxtil está se desenvolvendo muito. O município está prestes a virar também uma cidade universitária. Estudantes de toda a região e também de municípios distantes vêm para Ubá a fim de buscar conhecimento.


Venha conhecer de perto nossa cidade. Há muitos problemas, mas também há um povo pronto a ajudar.



Um grande abraço


Taís Alves

terça-feira, 28 de abril de 2009

CONVITE Título Maria de Loreto Camiloto Rocha

IMLOR marca os seis anos de sua fundação com homenagem a pessoas que trabalham ou trabalharam por Ubá

O Instituto Maria de Loreto Camiloto Rocha – IMLOR – promove, no dia 30 de abril, às 19 horas e 30 minutos, na Câmara Municipal de Ubá, a entrega do Título Maria de Loreto Camiloto Rocha – Mérito Cidadania 2009, para homenagear aqueles que trabalharam e trabalham em prol do bem comum. A iniciativa marca os seis anos de fundação da entidade, criada em 30 de abril de 2003.


O evento visa reverenciar a memória de Maria Loreto Camiloto Rocha, cidadã que foi a verdadeira guardiã da Educação, da História e da Cultura de Ubá e também conservar sua memória viva. Alguns critérios foram observados para a escolha dos homenageados: Personalidade nas Tradições Culturais, Personalidades na Educação Formal, Personalidade na Educação Informal, Personalidades na Ação Social. Haverá ainda, nesta 1ª Edição, uma homenagem a um membro do IMLOR, representando todos aqueles que tanto trabalharam para a criação do Instituto. Este título será entregue anualmente, em sessão solene, por ocasião do aniversário da instituição.


Homenageados:


Pela Educação Formal- Professora Maria de Lourdes Campos, Professora Magda, Teixeira Bigonha Gazolla, Professora Maricelma Marangon


Pela Educação Informal- José Dias de Oliveira (Tênis de mesa),O Cabo PM Geremias de Magalhães Pereira (PROERD),Sargento Alexandre (Tiro de Guerra)


Pela Ação Social- Celeida Montanha (Pastoral Carcerária,Ângela Teixeira de Paula (FEMAC,Márcia Sueli de Souza Freitas (Lar João de Freitas)


Pelas Tradições Culturais - Evandro de Castro Dorigueto


Pelo IMLOR, representando os fundadores do Instituto - Professora Zuleica Evangelista Andrade (Presidente do SIND-Ute)



Taís Alves - jornalista -secretária do IMLOR